Romântica, não... Poética
- Darah

- 4 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Mais respeito, por favor! Ser romântica é esperar. Ser poética é ver.
"Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rios de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. (…) É feia. Mas é flor!"
Sempre me disseram que eu era romântica. Que eu via demais, sentia demais, esperava demais. Intensa. Tá certo. Mas não, nunca fui. Ta bom... talvez eu tenha sido quando jovenzinha. Acontece que algumas decepções me ensinaram a ser poética. E isso é bem diferente. A pessoa romântica sonha com o que ainda não veio. Ela idealiza. Cria futuros detalhados. Faz do outro um altar; do amor um enredo perfeito. Ela precisa que seja bonito — mesmo que não seja real.
Já a poética não exige beleza. Ela exige verdade. A poesia não precisa do cenário certo, do par perfeito, da noite estrelada. Ela vê flor onde ninguém vê. Ela encontra sentido no que parece seco, morto, fechado. Ela aceita a dor — e escreve sobre ela.

Carlos Drummond de Andrade foi o autor desse trecho aí de cima. Isso não é romance. Isso é poesia. O romântico esperaria um jardim, passarinhos a cantar e bambis a saltitar; A poesia se comove com uma única flor desbotada, torta e murcha. Ser poética é isso: não negar o real. É encarar o mundo do jeito que ele é — confuso, cansado, melancólico — e mesmo assim, encarar.
A romântica espera o encontro perfeito.
A poética escreve sobre o desencontro.
A romântica sonha com a chegada.
A poética transforma a ausência num poema.
Elas não esperam que o mundo seja bonito. Mas continuam olhando, como quem procura sentido no meio dos escombros. E às vezes encontram.
Uma flor.
Torta.
Suja.
Real.
E viva.
É Feia.
Mas é flor.

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