A lua te traiu também?
- Darah

- 2 de set.
- 2 min de leitura
Há uma luz que atravessa a noite, mas não lhe pertence. Parece firme, parece ser guia. Mas não é. Ela só reflete o que vem de longe. Não emite — repete. E nessa repetição, distorce. Cria silhuetas onde não há forma. Dá corpo ao que é ruído. Dá sentido ao que é puro impulso.

É falsa.
Esse tipo de luz não ilumina. Revela o que quer. Oculta o que convém. Gera confusão entre instinto e verdade. É fácil se perder aqui. Fácil acreditar que o que se sente é o que é. Mas a sensação, nessa fase, é terreno escorregadio.
Tudo é meio-termo. Tudo é talvez. As certezas se desfazem como fumaça. Aquilo que parece óbvio, logo se mostra frágil. Nada é concreto. As emoções se embaralham com projeções, medos, fantasmas antigos. O passado volta com força, nem sempre como memória — às vezes como repetição.
Nos vínculos, o efeito é ainda mais instável. Um gesto pode carregar mil interpretações. Uma ausência vira enigma. Um olhar, armadilha. Há idealizações demais. Há silêncio demais. Pode haver algo sendo escondido, mas também pode haver excesso de leitura em coisas simples. É confuso. É instável. E exige discernimento.
Não é hora de decidir. É hora de observar. De deixar a névoa passar. Porque sob essa luz, tudo parece e nada se confirma. A verdade está presente, mas camuflada. O que se sente é real, mas talvez não seja correspondido na mesma medida.
Ou talvez seja — mas sem estrutura ainda. Essa fase não fala de finais nem de inícios. Fala de atravessamentos. É como um corredor escuro entre dois portais. Não há mapa, só sensações. E nem todas são confiáveis.
Quando a luz voltar a ser plena, quando o Sol bater sem filtro, o que for verdadeiro vai permanecer... o que for falso, refletirá.
O resto se desfaz — como toda ilusão que precisa da sombra pra existir.



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